Pode estar perto do fim o drama dos 33 homens que estão confinados em uma mina, há mais de dois meses, no Chile. Uma das máquinas usadas para abrir um túnel está a quase cem metros do abrigo onde estão os mineiros.
As autoridades chilenas acreditam que o resgate pode acontecer nesse fim de semana. (10). Vai ser uma operação daquelas para entrar para a história. Os engenheiros avaliam se será necessário revestir o túnel por onde os mineiros serão içados.
Esta semana, o acidente na mina de San José, no norte do Chile, completou exatamente dois meses. São 60 dias vivendo debaixo da terra.
Agora falta pouco para chegar à galeria onde os mineiros estão presos - cerca de 160 metros. Se tudo der certo, os dias de desespero poderão se encerrar neste fim de semana.
Os engenheiros chilenos criaram três planos para resgatar os mineiros: são três máquinas diferentes perfurando ao mesmo tempo. A máquina do chamado plano B, o mais adiantado, já perfurou 500 metros. Os mineiros estão em um refúgio a cerca de 700 metros.
Na profundidade em que os mineiros se encontram, seria possível enterrar o Empire State, a Torre Eiffel, a Estátua da Liberdade e o Cristo Redentor.
Para se ter uma ideia, os mineiros estão recebendo alimentos e água por meio de um pequeno túnel que tem 12 centímetros de diâmetro, equivalente a um círculo do tamanho de um CD. Já o outro túnel que está sendo escavado para a retirada do grupo tem 54 centímetros de diâmetro - é um espaço estreito para passar uma pessoa.
A discussão agora é se o túnel que foi escavado até o local onde está os mineiros deve ou não ser revestido com uma camada de metal, para facilitar o caminho do pequeno elevador que vai tirar os 33 homens um a um.
Flávio Kuwajima, professor do ITA, é especialista em obras subterrâneas. Ele diz que o revestimento aumenta em até 80% a segurança da operação.
“Qualquer pressão que aplique você consegue segurar os blocos. Se o bloco começar a desmoronar é muito difícil segurar. O revestimento serve para evitar uma iniciação do processo de ruptura. É uma questão de segurança. Pode fechar de novo. Se fechar de novo, perdeu esse túnel. Vai ter que abrir outro”, explica o engenheiro geotécnico Flávio Kuwajima.
Enquanto o resgate não é concluído, especialistas acompanham a rotina dos mineiros. O contato com o exterior é feito através de câmeras que foram instaladas no abrigo. Manter as mentes saudáveis é a maior preocupação.
Quem trabalha em áreas de confinamento diz que não é fácil superar o período de restrição.
O mergulhador Marcello Santanna trabalha para companhias petrolíferas na Bacia de Campos no Rio de Janeiro e já chegou a passar até 28 dias confinado em uma câmara hiperbárica, que regula a pressão dos mergulhadores.
O mergulhador Marcello Santanna trabalha para companhias petrolíferas na Bacia de Campos no Rio de Janeiro e já chegou a passar até 28 dias confinado em uma câmara hiperbárica, que regula a pressão dos mergulhadores.
“É uma dura rotina, porque você tem que lidar com erros, com manias dos outros, mas tem que ter um trabalho psicológico muito grande”, destaca o mergulhador Marcello Santanna.
O ecoesportista Dan Robison Dias participou de uma experiência da Unicamp. Ele ficou isolado dois meses dentro de uma caverna. Tudo foi registrado. Oito anos depois, ele diz que ainda hoje confunde sonhos com a realidade.
“Por alguns instantes eu ainda imagino que estou na caverna sonhando com aqui fora, que era uma constante lá dentro da caverna. Eu sonhava que estava em casa e acordava na caverna. São oito anos, vira e mexe eu tenho esses lampejos. Será realmente eu saí da caverna, será que isso aqui fora é real?”, conta o ecoesportista Dan Robison Dias.
Os chilenos também poderão passar por isso. A psicóloga Karina Haddad diz que quando eles saírem será necessário fazer um novo resgate.
“Eles vão precisar de apoio familiar, de amor, de tratamento psiquiátrico, psicológico. Vão precisar de muita paciência, porque em um primeiro momento eles vão ter que se recompor física, psíquica, emocionalmente para em seguida ter um trabalho sobre cada um deles. Trazê-los novamente, incluí-los novamente a vida”, aponta a psicóloga Karina Haddad.
Uma câmera dentro do túnel vai ajudar os engenheiros a decidir se o revestimento de metal será necessário ou não. Depois que forem retirados, os mineiros vão receber óculos escuros especiais, porque estão há muito tempo em um local com pouca iluminação, e serão levados direto da mina para um hospital.
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