terça-feira, 12 de outubro de 2010

Falta de chuvas provoca queda na produção de mel no RN

"A escassez de chuvas que atingiu o RN ao longo deste ano deverá provocar uma redução de 50% na produção de mel do estado em 2010", afirmou Valdemar Belchior Filho, gestor do projeto de apicultura do Sebrae, em relação ao ano passado. Contudo, esta diminuição na produção não foi o suficiente para tirar o espaço do Estado no mercado, de 6º maior exportador do Brasil e 3º da região Nordeste, atrás do Piauí e do Ceará.

Valdemar informou que a produção no Estado chegou a 2,3 mil toneladas de mel em 2009, das quais, aproximadamente duas mil toneladas foram exportadas. Segundo ele, esse aumento na produção deve-se ao programa de capacitação de produtores de mel, promovido pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) desde 2002. "Nossa produção aumentou em 15 vezes depois que os apicultores locais receberam esse treinamento de como manusear e aproveitar melhor o produto.

Todas as melhorias no RN aconteceram nesses oito anos, ou seja, após a parceria com o Sebrae", disse. A produção do Estado que era de 150 toneladas, em 2002, atingiu a marca de 2,3 mil toneladas no ano passado.

Para este ano, está sendo esperada uma queda em torno de 50% na produção, conforme dados do Sebrae/RN. Apesar disto, o Rio Grande do Norte manterá a sua posição de destaque na exportação de mel, uma vez que problemas relacionados ao clima também atingiram outros Estados brasileiros. Valdemar Belchior disse que a preocupação é pela seca ter ocorrido bem antes do previsto, o que ocasionou a perda de abelhas devido à falta de alimento. "Não haviamos passado ainda por um problema tão sério quanto o que está ocorrendo. Em algumas regiões choveu menos de 50 milímetros, visto que, em anos anteriores, eram registrados em torno de mil milímetros de chuva", destacou.

As abelhas brasileiras, que são em sua maioria africanizadas, têm uma característica peculiar. Belchior informou que as que vivem no Brasil não apresentam doenças, além disso, elas mesmas realizam um processo de "melhoramento genético" na colméia, pois a rainha, ao identificar a existência de larvas doentes, as expulsa. Outro fator que contribui para a qualidade das colméias brasileiras é o fato da rainha sempre "propolizar" as abelhas ao nascerem, um procedimento que realiza uma higienização na colmeia. Diversos estudos já foram realizados para tentar explicar esse comportamento, mas até agora nada foi descoberto.

O professor da Escola Agrícola de Jundiaí Gerbson Mendonça disse que o mel sai das fazendas por um valor entre R$ 3,50 e R$ 4 o quilo. Já no supermercado, o preço pago pelo consumidor para adquirir a mesma quantidade do produto varia de R$ 10 a R$ 14.

Antes de ser vendido, o mel passa por um processo de beneficiamento, que varia de acordo com cada apicultor e por causa disso o produto vendido nacionalmente pode apresentar diferença de cor e sabor. "O mel que vai para a exportação precisa ser homogêneo, por isso passa por um processo que o deixa todo com características semelhantes", completou.

Perdas dos produtores

Dentre os problemas responsáveis pela forte queda na produção de mel do Estado, o fenômeno de enxameação, que é a migração das abelhas, pode ser determinante. O professor Gerbson Mendonça explica que este processo acontece por diversos motivos. A época de reprodução das abelhas é um deles, já que esta é a forma que elas encontram de se espalhar na natureza.

"Na época de florada, o enxame cresce demasiadamente, chegando a mais de 30 mil indivíduos por colônia, o que dificulta a convivência em sociedade. Então essa colônia se divide em duas", disse.

Aumento da temperatura dentro da colméia, falta de água e alimento no entorno da colônia também são responsáveis por essa "fuga". De acordo com Gerbson, todos os anos, a região litorânea do Rio Grande do Norte recebe uma grande quantidade de enxames, vindos do sertão, principalmente a partir de agosto. "Isso ocorre porque nesta época do ano, as chuvas ficam escassas no sertão e as colônias de abelhas saem em busca de plantas com flores. Só aqui na escola, capturamos dois enxames", contou.

Rentabilidade

Não é só de mel que vive o produtor. Outro serviço da abelha é a polinização de frutos e flores no entorno de sua colônia. A polinização chega a aumentar a produção desses produtos em até 30%, pois melhora sua qualidade.

A polinização é mais rentável até que a produção de mel, por isso os produtores alugam as colméias na época de florescimento dos frutos. Dependendo do tamanho da área e do produto, chegam a ser usadas até 15 mil colméias. Além disso, durante o processo, as abelhas continuam produzindo mel e o número de indivíduos ainda aumenta, pois com a maior oferta de alimento, melhora a fecundação.

Segundo Gerbson, no Rio Grande do Norte, esse serviço é utilizado na produção de diversos frutos como a melancia, cítricos (laranja, acerola e goiaba), cajueiro e coqueiros. As cidades que mais utilizam isso são Açu e Mossoró.

Congresso

A partir de hoje, a capital potiguar sediará o X Congresso Iberolatinoamericano de Apicultura. O evento, com o tema Meio Ambiente e a Apicultura no Agronegócio, é considerado o maior do mundo em seu segmento e deverá reunir aproximadamente 2,5 mil participantes, entre cientistas, produtores e investidores de diferentes países. Estão programadas conferências, mini conferências, rodada de negócios, feira internacional, além de visitas técnicas.

Dentro da programação será promovido um concurso que pretende estimular e integrar os grupos presentes. Os participantes podem escolher entre oito categorias: Mel, Artesanato, Fotografia, Rótulo, Livro, Invento, Caravana, Apicultor mais jovem e Apicultor mais antigo. Os jurados do concurso serão membros da comissão científica. Na categoria Mel, a empresa terá que ser certificada, como também serão verificados os parâmetros de qualidade do produto.

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